O plástico-bolha foi inventado para ser papel de parede, e ninguém quis

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Em 1957, dois engenheiros selaram duas cortinas de chuveiro para vender papel de parede com textura. A ideia fracassou. A embalagem, não.
Em 1957, numa garagem em Hawthorne, Nova Jersey, dois engenheiros tentavam criar algo moderno. Alfred W. Fielding, engenheiro mecânico americano, e Marc Chavannes, engenheiro químico suíço, queriam lançar um novo tipo de papel de parede com textura: um revestimento tridimensional e moderninho, voltado para a geração beat da época.
O método era bem caseiro. Eles passaram duas cortinas de chuveiro de plástico por uma máquina de selagem a quente, prendendo bolsões de ar entre as camadas. O resultado foi uma folha coberta de pequenas bolhas. Como papel de parede, foi um fracasso. Os decoradores não se interessaram, e ninguém queria bolhas nas paredes.
Fielding e Chavannes não desistiram do material. A leveza e o ar isolante dentro das bolhas sugeriam outros usos, e eles tentaram vendê-lo como isolamento para estufas. Em 1960, fundaram a Sealed Air Corporation, registraram marcas como Bubble Wrap e AirCap e obtiveram a primeira patente do processo. Ao todo, receberam seis patentes ligadas à invenção. Nem todo inventor teve a mesma sorte: Lizzie Magie patenteou em 1904 o jogo que virou o Banco Imobiliário e recebeu só 500 dólares por ele.
A virada veio da indústria de computadores. A IBM tinha acabado de lançar o IBM 1401, uma máquina de tanto sucesso que já foi chamada de "Ford Modelo T" dos computadores, e precisava de um jeito de transportar os aparelhos delicados sem danos. No início dos anos 1960, um vendedor da Sealed Air, Frederick W. Bowers, convenceu a IBM a testar o amortecimento com ar. Deu certo. A IBM passou a enviar seus computadores com segurança, outras empresas seguiram o exemplo, e o papel de parede fracassado virou o jeito padrão de proteger produtos frágeis.
Hoje a Sealed Air é uma multinacional, e Bubble Wrap é uma daquelas marcas que viraram nome de produto. O plástico-bolha também virou um objeto da cultura pop. Estourar as bolhas é tão satisfatório que existe até um dia não oficial dedicado a ele: o Dia de Apreciação do Plástico-Bolha, na última segunda-feira de janeiro. Ele começou em 2001 numa rádio de Bloomington, Indiana, depois que microfones entregues embrulhados no material captaram ao vivo o som das bolhas estourando, e os ouvintes adoraram.
Esse carinho foi posto à prova em 2015, quando a Sealed Air lançou o iBubble Wrap, uma versão que é enviada plana e enchida com uma bomba, com bolhas ligadas em colunas para não estourar com facilidade. A notícia provocou uma revolta na internet de quem tinha medo de perder seu antiestresse favorito, até a empresa prometer que continuaria fabricando a versão clássica, que estoura.
Howard, filho de Fielding, contou anos depois que, aos cinco anos, talvez tenha sido a primeira pessoa a estourar plástico-bolha só por diversão. Não foi a última.
Fontes: Sealed Air (história da empresa e páginas da marca Bubble Wrap), Smithsonian Magazine ("The Accidental Invention of Bubble Wrap"), história da família H.W. Fielding, The New York Times City Room (2010), CNBC, CNN, The Wall Street Journal (2015). Capa: close de plástico-bolha, por Consequencefree, Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.
