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Por que o vombate faz cocô em forma de cubo: o único animal do mundo que faz isso

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Um vombate-comum descansando na entrada de uma galeria de pedra na Ilha Maria, Tasmânia
Charles J. Sharp / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

··3 min de leitura·Ciência·75 visualizações

O vombate-comum deixa até 100 cocôs em forma de cubo por noite. Cientistas descobriram que os cantos são moldados dentro do intestino, e não na saída.

Ande à noite pela mata da Tasmânia e talvez você encontre algo que parece ter sido cortado com faca: pequenos cubos marrons, com cerca de dois centímetros de lado, em cima de uma pedra ou de um tronco caído. É cocô de vombate. Até onde a ciência sabe, o vombate-comum é o único animal do mundo que produz fezes em forma de cubo.

Vombates são marsupiais atarracados que cavam tocas no sudeste da Austrália. Um único animal pode deixar até 100 desses cubos numa só noite. Durante muito tempo, a pergunta óbvia ficou sem resposta clara: como um intestino mole e redondo consegue fazer faces planas e cantos retos? Um palpite popular era que o ânus do vombate fosse quadrado. Não é.

Em 2018, Patricia Yang, então pesquisadora de pós-doutorado na Georgia Tech, e colegas como David Hu e Scott Carver, da Universidade da Tasmânia, examinaram o sistema digestivo de vombates que tiveram de ser sacrificados após atropelamentos. Eles viram que as fezes ficam quase líquidas durante a maior parte do caminho e só endurecem perto do fim. Os cubos ganham forma dentro do último trecho do intestino, bem antes de chegar à saída.

Depois, a equipe encheu um intestino de vombate vazio com um balão comprido e mediu como a parede se esticava. Ela não se esticava por igual: algumas regiões cediam muito mais que outras. Em 2021, um estudo mais detalhado na revista Soft Matter mostrou que os cubos se formam nos últimos 17% do intestino, onde a parede tem faixas cerca de duas vezes mais grossas e quatro vezes mais rígidas que o tecido ao lado.

Essa parede irregular é o segredo. Conforme o intestino se contrai várias vezes para empurrar o conteúdo, as regiões rígidas apertam mais rápido e as regiões moles se movem mais devagar. Um modelo de computador de um anel feito de trechos rígidos e moles alternados chegou ao mesmo resultado: lados planos com cantos entre eles. Some a isso o fato de que as fezes perdem muita água no cólon, e o resultado é um cubo firme e regular, que mantém a forma ao passar por uma abertura perfeitamente redonda. Encanamento estranho não é exclusividade do vombate: o polvo tem três corações e sangue azul.

Mas para que um vombate precisaria de cubos? Vombates enxergam mal e se comunicam principalmente pelo cheiro. Eles deixam o cocô em lugares de destaque, como pedras, troncos e a área em volta das tocas, para marcar território. Os pesquisadores sugerem que um cubo rola menos que uma esfera. Nem todo especialista em vombates acha que o formato surgiu por esse motivo, e alguns lembram que os vombates não empilham o cocô de propósito.

A pesquisa ganhou o Prêmio Ig Nobel de Física de 2019, dado a estudos que primeiro fazem rir e depois fazem pensar. Os cientistas defendem que a segunda parte importa. Entender como um tecido mole molda cantos retos pode inspirar novos métodos de fabricação, e como mudanças na rigidez do cólon estão ligadas a algumas doenças em humanos, o formato das fezes talvez ajude médicos a detectar problemas mais cedo. A fauna australiana é cheia de surpresas: em 1932, o país chegou a perder uma guerra contra os emus.

Fontes: Yang et al., "Intestines of non-uniform stiffness mold the corners of wombat feces", Soft Matter (2021); Yang, Chan, Carver & Hu, American Physical Society, Divisão de Dinâmica de Fluidos (2018); Royal Society of Chemistry; Georgia Tech; BBC News; Improbable Research (Ig Nobel 2019). Capa_Maria_Island.jpg): vombate-comum na Ilha Maria, Tasmânia, por Charles J. Sharp, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

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