O único deputado que recusou o Juramento do Jogo da Pela assinou mesmo assim

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Em 1789, mais de 500 deputados fizeram o Juramento do Jogo da Pela. Joseph Martin-Dauch recusou, escreveu 'opposant' e a Assembleia manteve a assinatura.
Em 20 de junho de 1789, mais de 500 deputados se espremeram numa quadra coberta de Versalhes e juraram não se separar até a França ter uma Constituição. Só um homem recusou. Joseph Martin-Dauch, advogado eleito por Castelnaudary, no sul da França, assinou o registro mesmo assim e escreveu uma única palavra ao lado do nome: "opposant", ou seja, contrário.
O juramento nasceu de um impasse. Luís XVI tinha convocado os Estados Gerais, a antiga assembleia do clero, da nobreza e do povo, pela primeira vez desde 1614, porque o reino estava à beira da falência, como explica a Britannica. Em 17 de junho, os representantes do Terceiro Estado se declararam Assembleia Nacional. Três dias depois, encontraram o salão onde se reuniam, o Menus-Plaisirs, trancado e vigiado por soldados.
Os deputados foram até a sala grande mais próxima, uma quadra de jeu de paume, o antepassado do tênis. Ali, segundo o Palácio de Versalhes, juraram "nunca se separar e se reunir onde as circunstâncias exigirem até que a Constituição do reino seja estabelecida e firmada sobre bases sólidas". O presidente da Assembleia, o astrônomo Jean-Sylvain Bailly, conduziu o juramento, e os membros vieram assinar em seguida.
Quando as assinaturas terminaram, o deputado Armand-Gaston Camus anunciou que Martin-Dauch tinha assinado como opositor. A ata oficial, publicada nos Archives parlementaires, registra "um grito geral de indignação". Bailly pediu que ouvissem as razões dele. Martin-Dauch respondeu que não podia jurar cumprir decisões que não tivessem sido aprovadas pelo rei.

Ele não recuou, e a Assembleia tomou uma decisão que ainda surpreende. Determinou que a assinatura ficasse no registro "para provar a liberdade de opinião". A biografia de Martin-Dauch na Assembleia Nacional francesa, tirada de um dicionário de deputados publicado em 1889, atribui a Bailly ter acalmado a sala dizendo que aquela oposição seria um testemunho dessa liberdade.
O protesto não mudou nada no curto prazo. Em 27 de junho o rei cedeu e mandou o clero e a nobreza se juntarem ao Terceiro Estado. Martin-Dauch manteve a cadeira, votou com a minoria até o fim da assembleia, em 1791, depois voltou para casa e sumiu da vida pública. Morreu em Castelnaudary em 1801.
A sala tinha um passado real. Foi construída em 1686 para Nicolas Creté, o mestre de pela do rei, e, segundo o Palácio de Versalhes, as memórias de Charles Perrault contam que o médico de Luís XIV recomendou o jogo a ele como exercício saudável.

Depois de 1789, a quadra virou propriedade nacional em 1793 e serviu de depósito e de ateliê para os pintores Antoine-Jean Gros e Horace Vernet. Foi tombada como monumento histórico em 1848 e, em 20 de junho de 1883, reabriu como museu da Revolução Francesa. Na parede do fundo está uma tela de 10 por 6 metros de Luc-Olivier Merson, baseada num desenho que Jacques-Louis David expôs em 1791 para uma pintura gigante que nunca terminou por falta de dinheiro, como informa o palácio. A sala foi restaurada de novo durante oito meses e reaberta em 2022, segundo o relatório de restauração do palácio.
Fontes: Archives parlementaires, vol. 8, p. 139-140; Assemblée nationale, Joseph Martin-Dauch; Palácio de Versalhes, Juramento do Jogo da Pela; Palácio de Versalhes, Sala do Jogo da Pela; Palácio de Versalhes, restauração; Britannica. Capa: O Juramento do Jogo da Pela, de Jacques-Louis David, Wikimedia Commons.