O Alasca foi comprado por 2 centavos o acre, e a troca de dono deu a ele duas sextas-feiras seguidas

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Quando a Rússia entregou o Alasca aos Estados Unidos em 18 de outubro de 1867, o território pulou 11 datas e repetiu uma sexta-feira. O cheque de 7,2 milhões de dólares só foi pago mais de nove meses depois.
Em 18 de outubro de 1867, uma bandeira russa desceu do mastro em Sitka e os Estados Unidos tomaram posse do Alasca, um território de quase 1,55 milhão de quilômetros quadrados comprado por 7,2 milhões de dólares. Isso dá menos de 2 centavos de dólar por acre. A troca de dono também entortou o calendário: na contagem local, a sexta-feira, 6 de outubro, foi seguida por outra sexta-feira, 18 de outubro.
A sexta-feira dupla tem uma explicação simples. Os comerciantes de peles russos chegaram ao Alasca vindos da Sibéria, então a colônia seguia a contagem de dias da Ásia e o calendário juliano, que no século 19 estava 12 dias atrás do calendário gregoriano usado nos Estados Unidos. Trocar de calendário empurrou a data 12 dias para a frente, enquanto passar o território para o lado americano da linha de data a puxou um dia para trás. O resultado, como explica uma história da Linha Internacional de Data publicada pela Universidade de Utrecht, foram 11 datas puladas e um dia da semana repetido.
O negócio em si foi rápido. O secretário de Estado William H. Seward fechou a compra com o ministro russo em Washington, Eduard de Stoeckl, em 30 de março de 1867. O Senado aprovou o tratado em 9 de abril, e a transferência formal veio em outubro, segundo o Escritório do Historiador do Departamento de Estado americano.

Curiosamente, o tratado que vendeu uma colônia russa não tem texto oficial em russo. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos explica que o original foi escrito em colunas paralelas de inglês e francês, porque o francês era a língua diplomática da corte imperial russa. O czar Alexandre II assinou uma ratificação equivalente, e os dois governos trocaram cópias.
Pagar pelo Alasca demorou mais do que hastear a bandeira. A Câmara dos Representantes levou mais de um ano para liberar o dinheiro, travada pela oposição política e pelo processo de impeachment contra o presidente Andrew Johnson. O Tesouro só emitiu a ordem de pagamento de 7,2 milhões de dólares em 1º de agosto de 1868, mais de nove meses depois da cerimônia em Sitka. Esse cheque compensado hoje é um dos documentos históricos do Arquivo Nacional dos Estados Unidos.
A cerimônia foi curta. Tropas russas e americanas se alinharam diante da casa do governador, no morro acima de Sitka, que então se chamava Nova Arcangel. A bandeira russa foi baixada e a americana subiu ao som de tiros de canhão. O navio de guerra USS Ossipee havia levado os comissários de San Francisco, e o diário de bordo dele, hoje na Biblioteca do Congresso, descreve a transferência nas páginas 147 e 148.
Nem todo mundo comemorou. Os críticos zombaram da compra chamando-a de "Loucura de Seward" ou "Geladeira de Seward", e o Arquivo Nacional conta que os apelidos duraram até 1896, quando a grande descoberta de ouro do Klondike convenceu até os críticos mais duros de que a terra valia a pena. O Alasca virou o 49º estado americano em 1959.
Hoje, 18 de outubro é o Dia do Alasca, feriado estadual comemorado em Sitka com desfile e uma encenação do hasteamento da bandeira. Alguns grupos nativos do Alasca também usam a data para discutir o que a transferência significou para os tlingit e outros povos que viviam ali muito antes da chegada da Rússia ou dos Estados Unidos.
Fontes: Escritório do Historiador, Departamento de Estado dos EUA: Compra do Alasca, 1867; Arquivo Nacional dos EUA: Cheque da compra do Alasca (1868); Biblioteca do Congresso: Original do tratado com a Rússia para a cessão do Alasca; Biblioteca do Congresso: Diário do USS Ossipee; Universidade de Utrecht: História da Linha Internacional de Data, o ajuste do Alasca em 1867. Capa: Ordem de pagamento de 7,2 milhões de dólares pela compra do Alasca, 1868.