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A Sardenha tem 800 túmulos dos gigantes, e nenhum foi feito para um gigante

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Túmulo dos gigantes de S'Ena 'e Thomes, na Sardenha: estela de granito alta e arqueada com portinha, entre pedras em pé
gaspart / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

·4 min de leitura·História·0 visualizações

Os túmulos dos gigantes da Sardenha, da Idade do Bronze, ganharam o nome do folclore. Na verdade eram sepulturas coletivas, algumas com dezenas ou centenas de pessoas.

A Sardenha tem cerca de 800 "túmulos dos gigantes", e nenhum deles foi feito para um gigante. Esse era o número de sítios conhecidos num levantamento de 2003 citado pelo projeto Sardegna Virtual Archaeology, da região. Esses monumentos da Idade do Bronze eram sepulturas coletivas onde as comunidades nurágicas enterravam seus mortos juntos, por gerações, entre cerca de 1600 e 1150 a.C.

O nome vem do folclore, não de ossos. Diante de lajes de granito mais altas que uma pessoa e câmaras funerárias de uns 10 metros de comprimento, os sardos por muito tempo acharam que só seres enormes poderiam ter sido sepultados ali. O site oficial de turismo da região da Sardenha resume: segundo a lenda, seres gigantescos usavam os túmulos, mas na verdade eram locais de sepultamento coletivo. Os arqueólogos mantiveram o apelido popular mesmo assim.

Visto de cima, um túmulo dos gigantes típico parece uma cabeça de touro. Uma câmara longa e estreita termina num fundo arredondado, e a frente se abre em duas alas curvas de pedra. Essas alas formam a exedra, um pátio semicircular que os especialistas interpretam como espaço cerimonial, onde aconteciam ritos para os mortos diante da sepultura.

No centro da fachada, o tipo mais antigo tem uma estela: uma única laje em pé, com topo arqueado e uma pequena abertura na base. O exemplo mais bem preservado fica em S'Ena 'e Thomes, perto de Dorgali. A estela de granito tem quase 4 metros de altura e pesa cerca de sete toneladas. Atrás dela corre um corredor funerário de 11 metros coberto por lajes planas e, fora do comum, o túmulo está voltado para o sul, e não para o leste.

Panorama do túmulo dos gigantes de Coddu Vecchju, na Sardenha: estela alta e arqueada ladeada por lajes em pé em curva
O túmulo dos gigantes de Coddu Vecchju, perto de Arzachena, com sua estela de 4 metros. Foto: Heinz-Josef Lücking, CC BY-SA 3.0 DE via Wikimedia Commons.jpg)

Aquela portinha é pequena demais para alguém passar. Segundo o projeto La Sardegna verso l'UNESCO, essas aberturas provavelmente tinham sentido simbólico, uma passagem entre os vivos e os mortos. Quando um novo corpo precisava entrar, os construtores chegavam à câmara removendo temporariamente uma ou mais lajes de pedra que a cobriam.

A estela mais alta que se conhece está em Coddu Vecchju, perto de Arzachena, no norte da ilha. A prefeitura de Arzachena informa que ela tem 4,04 metros, feita de dois blocos de granito sobrepostos e emoldurada por uma borda esculpida. O túmulo atrás dela começou como uma sepultura em galeria mais antiga e depois foi remodelado com a fachada curva.

Cada uma dessas câmaras podia receber muita gente. O arqueólogo Paolo Melis, citado pelo mesmo projeto de candidatura à UNESCO, estima que um único túmulo podia conter dezenas, se não centenas, de pessoas. Em S'Ena 'e Thomes, os poucos objetos encontrados com os mortos não mostraram sinais claros de hierarquia, o que sugere uma comunidade que enterrava seus membros lado a lado.

A moda mudou com o tempo. No centro-norte da Sardenha, durante a Idade do Bronze Média (por volta de 1400 a 1300 a.C.), o modelo de lajes com estela deu lugar a túmulos de blocos de pedra cuidadosamente cortados, com uma verga sobre a entrada em vez de estela. Entre o segundo e o primeiro milênio a.C., como descreveu a pesquisadora Anna Depalmas, a sociedade sarda passou aos poucos dos túmulos compartilhados para os sepultamentos individuais.

A maioria desses sítios se concentra no centro e no oeste da ilha, entre o Golfo de Orosei e o sul da Planargia, e muitos podem ser visitados a pé por trilhas no meio da vegetação mediterrânea. Os gigantes, no fim das contas, eram as pessoas que moviam lajes de sete toneladas para honrar seus mortos.

Fontes: Sardegna Virtual Archaeology, Região da Sardenha; SardegnaTurismo; La Sardegna verso l'UNESCO; Prefeitura de Arzachena; Depalmas, From collective tombs to individual burials. Capa: Túmulo dos gigantes de S'Ena 'e Thomes, em Dorgali, por gaspart.

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