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No mês que vem, a Voyager 1 vira o primeiro objeto humano a um dia-luz da Terra

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Ilustração da NASA da sonda Voyager, com sua grande antena parabólica branca, viajando pelo espaço
NASA/JPL · Public domain

··4 min de leitura·Espaço·132 visualizações

Em 18 de novembro de 2026, um sinal de rádio da Voyager 1 vai levar 24 horas inteiras para chegar até nós. Veja como uma sonda de 1977 foi tão longe e o que ela leva a bordo.

A luz é a coisa mais rápida do universo. Ela atravessa a distância até a Lua em pouco mais de um segundo e chega do Sol em cerca de oito minutos. Em 18 de novembro de 2026, ela vai precisar de um dia inteiro para chegar até nós vinda de uma máquina que nós construímos.

Essa é a data que os engenheiros da NASA calcularam para a Voyager 1 cruzar a marca de um dia-luz: cerca de 25,9 bilhões de quilômetros da Terra, ou umas 173 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Nenhum objeto feito por humanos jamais esteve tão longe. Quando os controladores do Laboratório de Propulsão a Jato mandarem um comando, vão esperar dois dias para saber se a sonda obedeceu: um dia para a mensagem ir e outro para a resposta voltar.

A viagem começou em 5 de setembro de 1977, em Cabo Canaveral. A Voyager 1 foi lançada dezesseis dias depois da gêmea, a Voyager 2, mas numa trajetória mais rápida, e por isso tomou a dianteira. Ela foi projetada para durar uns cinco anos e estudar Júpiter e Saturno. Passou por Júpiter em março de 1979 e por Saturno em novembro de 1980, e mandou as primeiras imagens detalhadas de vulcões em erupção na lua Io e da atmosfera nebulosa de Titã.

Depois de Saturno, a missão deveria ter acabado. Em vez disso, a Voyager 1 seguiu em frente. Em 1990, a uns 6 bilhões de quilômetros, ela virou a câmera para trás e fez a famosa foto do “Pálido Ponto Azul”, em que a Terra inteira é um pontinho menor que um pixel. No mesmo “retrato de família” do Sistema Solar, ela também fotografou Vênus, o planeta onde um dia dura mais que um ano. Em 25 de agosto de 2012, quase 35 anos depois do lançamento, virou a primeira nave a entrar no espaço interestelar, a região além da bolha de partículas carregadas soprada pelo Sol.

Hoje ela viaja a cerca de 61 mil km/h. Parece rápido demais, mas o espaço é maior que a nossa intuição. Chegar a um dia-luz levou 49 anos, 2 meses e 11 dias. Mesmo assim, daqui a uns 40 mil anos a Voyager 1 vai passar a 1,7 ano-luz de uma pequena estrela chamada AC +79 3888, na constelação da Girafa. A Voyager 2, mais lenta e em outra rota, deve chegar ao próprio dia-luz por volta de novembro de 2035. A gêmea também é a única sonda que já visitou Urano, o planeta que cheira a ovo podre.

A sonda não está vazia. Preso na lateral está o Disco de Ouro, um disco de cobre banhado a ouro, de 30 centímetros, escolhido por um comitê liderado pelo astrônomo Carl Sagan. Ele guarda 115 imagens, saudações em 55 idiomas, do acadiano antigo ao chinês wu, sons de baleias, de chuva e do beijo de uma mãe, e 90 minutos de música. Bach, Mozart, Beethoven e Stravinsky dividem o disco com Louis Armstrong e “Johnny B. Goode”, de Chuck Berry. A capa traz até instruções, em diagramas científicos, para tocá-lo a 16⅔ rotações por minuto.

Ninguém espera que alienígenas o encontrem tão cedo. O disco é mais uma mensagem na garrafa, um retrato de quem éramos em 1977, jogado no maior oceano que existe.

O difícil agora é manter a Voyager 1 viva. Ela funciona com baterias nucleares que perdem alguns watts de potência por ano, então a NASA vem desligando aquecedores e instrumentos científicos um a um. A meta é manter pelo menos um instrumento funcionando até a década de 2030. Um dia a sonda vai se calar, mas vai continuar viajando pela galáxia por milhões de anos, levando um disco dourado de um pequeno planeta azul.

Fontes: NASA Science (páginas da missão Voyager), NASA JPL, EarthSky, CNN. Capa: concepção artística da sonda Voyager, NASA/JPL, domínio público.

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